Cultura

Lições: como salvar o planeta salva o seu negócio de moda?

Aprendizados de uma marca que só agregou valor ao seu negócio e produção a partir do seu pioneirismo em sustentabilidade atrelada à inovação.
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Foto: Reprodução/Instagram @patagonia

A marca Patagonia, embora mais conhecida e amada pelos esportistas radiciais em geral (praticantes de escaladas, mountain bike e demais práticas outdoor afins), há algum tempo vem se tornando também bastante querida pelos insiders do urban fashion que, inclusive, a apelidaram de Patagucci.

O motivo? A label é reconhecida, cada vez mais, pela forma que enfrenta os desafios da moda e dos negócios “de cabeça erguida” e de forma inovadora – incluindo um processo contra o governo Trump por desproteger terras púbicas americanas para usá-las para produção.

Foto: Reprodução/Instagram @patagonia

Dentro de sua forma diferenciada de fazer negócio, foi uma das marcas pioneiras a impor e incorporar uma produção sustentável das peças e, não à toa, o resultado é que vem assistindo o seu negócio continuar a crescer mesmo quando muitos outros, pelo contrário, se encontram em dificuldade por não acompanharem as muitas, necessárias e rápidas mudanças no mercado de varejo.

Diante disso, esta semana em Nova York,  Yvon Chouinard, o CEO da brand americana, bem como a presidente, Rose Marcario, falaram sobre estes assuntos durante um evento da Federação de Varejo Nacional, mais especificamente para a revista americana de inovação, empreendedorismo e negócios “Fast Company”.

De política à cadeia logística e ambientalismo, veja algumas das principais discussões propostas:

Ativismo Político 

O maior ato político da marca foi o processo contra o governo Trump que reduziu os hectares de terras consideradas patrimônios públicos/reservas americanas. Mas, além disso, tomou medidas para que todos os seus funcionários pudessem votar nas eleições, mesmo quando isso implicou em que tivessem que parar completamente seus trabalhos; além de ter suportado públicamente os candidatos às eleições que realmente entendiam e incorporavam em suas campanhas os temas ligados ao aquecimento global e ao meio ambiente. Nos dois Estados onde isso aconteceu, Nevada e Montana, o suporte da marca fez uma real diferença nos resultados das urnas.

A respeito, eles comentaram: “Vimos algo que nunca havia acontecido na história dos Estados Unidos. A eliminação por parte do governo de 3 milhões de acres de terras públicas nos fez entender que precisávamos nos envolver.”

Ainda, afirmaram que desta vez foi necessário se envolver com questões políticas apesar de saberem o tamanho do risco que isso representaria. 

Crise do clima

Enquanto "sustentabilidade" se tornou uma palavra-chave em tempos relativamente recentes, a Patagonia já prioriza o ambiente há muitos anos a partir de suas ações filantrópicas e produção sustentável. Recentemente, nos incêndios que aconteceram na Califórnia, mais especificamente em Ventura, 75% dos funcionários que trabalhavam no local precisaram ser evacuados e foi a partir do incidente que decidiram comentar a respeito de sua certeza sobre enfatizar a importância da sua preservação.

“A crise do clima não é mais uma previsão. Ela é real. Está acontecendo!” disse Marcario. “Se vamos sobreviver aos próximos 25 anos, precisamos trabalhar mais e juntos pelo meio-ambiente. Precisamos colaborar e precisamos de mais transparência.”

A partir dessa discussão, a marca anunciou o seu plano de doar 10 milhões de dólares - que veio poupando a partir do corte de impostos de Trump - para organizações ambientalistas, mencionando o fato de que menos de 3% do dinheiro de doações filantrópicas atualmente são destinados às causas ambientais.

Além disso, aproveitaram para também comentar sobre o seu plano de tornar-se “carbon-free” (ou parar completamente de emitir carbono) até 2025, afirmando que a sua ideia não abrange apenas os escritórios e fábricas que opera, mas toda a cadeia de produção – algo que parece quase impossível na indústria atual.

Inovação da cadeia de produção

Apesar de não ser tão “relevante” ou “bacana” quanto processar o presidente, tornar a sustentabilidade e inovação partes inegociáveis da cadeia de produção foi onde a marca gastou boa parte de seu tempo e de seus recursos, já que acreditam estar nela a verdadeira mudança e busca por um planeta mais verde.

A respeito, contaram que embora acreditem que criar produtos inovadores venha primeiro na ordem de importância do que criar uma marca com longevidade, a curiosidade a respeito dos materiais e a vontade de sempre estar os inovando é uma chave importante. Para exemplificar, a presidente da label usou o caso do polyester reciclado, que foi uma fonte importante no passado mas teve que ser deixada de lado a partir da questão da poluição do microplástico.

“Você precisa estar sempre criando novas fontes de materiais e repensando a produção, investindo em inovação.” Ela comentou e continuou: “Temos que lidar com o fato de que não teremos cadeias de produção virgens para sempre, é claro, porque estamos começando a ficar sem fontes e a verdade é que por mais que não queiramos acreditar, essa é a realidade.”

Para a marca, isso significou trabalhar com cashmere e algodão reciclados, bem como ajudar as fábricas a manter-se dentro dos tratados e certificados de comércio justo, o que significa que outros clientes destas fábricas se beneficiam também.

Mais recentemente, inclusive, implicou em trabalhar com certificado de agricultura regenerativa (que encoraja a biodiversidade e ajuda o solo) que ela afirma ser a substituta, em pouco tempo, da agricultura orgânica atual.

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