Joias

Al mare: conheça anova coleção de alta joalheria da Chanel

A linha homenageia os dias ensolarados de sua fundadora na costa francesa.
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Luxo, dizia Gabrielle Chanel, é uma necessidade que começa onde a necessidade acaba. Isso certamente diz muito sobre a cliente Chanel dos tempos atuais, disposta a desembolsar boas quantias pelas peças da grife. Para a fundadora da maison, talvez isso estivesse relacionado a seus verões na costa do sul da França na década de 20, que passava a bordo do Flying Cloud, iate extravagante de Hugh Grosvenor, o segundo Duque de Westminster e um dos amantes mais emblemáticos da estilista. Não tanto pela pompa da embarcação, que exigia uma tripulação de 40 pessoas para funcionar, mas pelo dolce far niente que aquele estilo de vida lhe proporcionava: almoços ao ar livre, romance e conversas com amigos – tudo sem hora para acabar. 

Não à toa, a embarcação agora dá nome à nova coleção de alta joalheria da grife, lançada recentemente em Paris. Os tons de azul da Riviera, lugar onde Coco e Hugh se conheceram, inspiram as joias repletas de referências náuticas. Boias, velas, cordas com nós e até a clássica tatuagem de âncora dos marinheiros dão forma a peças que, apesar de luxuosas, casam muito bem com a elegância simples das blusas listradas, calças brancas, boinas e vestidinhos pretos que Chanel ajudou a eternizar. 

Até a paleta de cores do universo navy parece ter sido feita para ela: tons de marinho, dourado, preto e branco ainda hoje ocupam papel importante nas criações da marca. As pérolas, um dos acessórios favoritos da estilista (especialmente quando em contraste com a pele bronzeada no verão), também fazem parte da linha, que foi dividida em dois capítulos. 

O primeiro resgata elementos básicos da vida em alto- mar, como compassos e âncoras, reinterpretados com a ajuda de pedras como lápis-lazúli e diamante, que se misturam ao ouro branco e, é claro, às pérolas. Nessa parte da coleção, ganham espaço também os infinitos azuis do mar – do claríssimo, quase transparente, até o mais escuro, representados por turquesas e safiras, respectivamente. Já o segundo capítulo traz variações do guarda-roupa de verão, com suas silhuetas soltas e cheias de movimento. Pense em botões dourados, típicos dos uniformes da Marinha; pulseiras e anéis em formato de nós; e colares levíssimos, também com safiras azuis e diamantes, tanto em ouro amarelo quanto branco. 

A tal "flying cloud" que nomeia a linha evoca a nuvem que se movimenta com delicadeza sobre a superfície da água. Poderia significar liberdade, também, elemento do qual Coco Chanel jamais abriu mão – seja em suas criações, que quebravam as regras de estilo impostas às mulheres da época; seja em sua vida pessoal, já que jamais se encolheu diante dos homens com quem se relacionou. Ao transformar os dias ensolarados da estilista em joias, a Chanel conseguiu capturar a personalidade de contrastes que ela tinha: a dureza, encapsulada pelas gemas, e a leveza, que surge na modelagem sem amarras das joias, num diálogo dos mais interessantes.

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