Joias

Conheça o trabalho da designer de joias que questiona convenções

Confira uma entrevista exclusiva com a ourives paulistana Flavia Madeira, um dos grandes nomes da nova joalheria nacional.

Subvertendo noções de joalheria, a ourives paulistana Flavia Madeira busca inspiração no cotidiano e no que vê na frente para suas peças. Desde 2011 no circuito criativo da cidade, a designer foi escolhida para participar da segunda temporada do projeto "Meio-fio", da Melissa, que visa viabilizar projetos entre novos talentos.

O olhar de Flavia passeia por parafusos, conchas, escadas, engrenagens, que se tornam belas peças, como brincos, colares, pulseiras. Seu processo é bem experimental, como aquele momento de pura inspiração, que acaba tomando outras formas. "Não tenho um material favorito para trabalhar, e sim um momento de epifania quando descubro uma propriedade antes inexistente no meu repertório", diz em entrevista exclusiva à L'Officiel Brasil.

Descubra mais sobre o trabalho da designer a seguir:

Você se lembra da primeira peça que criou? Como ela era?

A primeira peça que eu criei foi o retrato de Pedro Álvares Cabral, desde o início da minha pesquisa, uso peças de descarte ou com o valor quase que nulo, como a moeda de um centavo, que foi anulada por uma jogada de marketing. O Retrato de Pedro Álvares Cabral consiste num pingente em prata com uma moeda de dois cruzeiros partida em quatro partes formando a moldurinha do retrato e uma moeda de um centavo com o rosto dele.

Em que momento você se descobriu apaixonada por joias?

Com certeza nos primeiros momentos de imersão nas técnicas básicas da joalheira, já no meu primeiro contato com a ourivesaria, me apaixonei pela a incandescência e pela mudança de estado físico dos metais.

 

Você tem um método de trabalho?

Meu método funciona como uma engrenagem de evolução de uma peça pra outra, cada trabalho realizado traz uma camada a mais de descoberta que quase sempre é o impulso para uma nova pesquisa.

Você está interessada em algum material/forma específica no momento?

Estou muito interessada em fazer outras dimensões de joias, que apelidei de "joias para casa". Estou pesquisando os limites e surpresas da pedra talco, que é uma pedra sem valor comercial, porosa, leve e fácil de esculpir. A partir dela estou criando uma serie de fontes de agua, que devem ficar prontas no ano que vem, a beleza da pedra talco se destaca quando ela entra em contato com a agua, mostrando sua cor e misturas internas.

Quando você descobriu que era possível criar joias que extrapolam "sua finalidade"?

Desde do meu primeiro contato com as técnicas, já que meu intuito nunca foi somente fazer peças para transmitir o belo e além do mais eu percebi que as pessoas querem se diferenciar uma das outras e que fica muito mais rico somar ideias e ideais do que simplesmente ir na onda do convencional.

O significado da joia mudou para você com o passar dos anos? 

Há diversos significados da joia e depende muito da perspectiva de como ela é vista. Nós nos adornamos há muito tempo, e acredito que é e sempre será uma forma que o ser humano encontrou pra se expressar e se proteger, transformando símbolos e materiais em bandeiras de identidade. Esses materiais são nobres para o contexto de cada um, então de novo, depende da perspectiva. O que é um material nobre para a rainha e o que é um material nobre para um antropólogo? Acredito que sejam bem distintos. Para mim o preciosismo da joia independe de sua matéria prima e sim do jeito que ela é elaborada e do ideal que existe por traz dela.

Como você vê o cenário atual para jovens criadores?

Vejo com entusiasmo, acho que estamos cada vez mais próximos do "faça o que goste", e caminhando cada vez mais para um êxito sem pretensão de acumulo exacerbado. Ou seja, acho que as pessoas finalmente estão se conscientizando de que vale mais a pena fazer algo que te deixa pleno do que participar de uma rotina mecânica dolorosa.

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