Joias

Fino traço: O minimalismo e elegância das joias de Manuela Henriques

Manuela Henriques flui entre o design e a arte por meio de formas orgânicas e abstratas com um toque minimalista
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Foto: Maria Fernanda Leal

Manuela Henriques foi criada dentro do ateliê de sua mãe, a artista plástica Célia Soares. As memórias e os registros que marcaram essa época, quando experimentava livremente os materiais no local, foram fundamentais para seu desenvolvimento artístico. Foi ali que Manuela aprendeu a desenhar, a fazer esculturas em argila (sua paixão), a conhecer a história da arte e os movimentos artísticos. Ela cursou psicologia e, apesar da formação e da carreira numa multinacional, a vontade de criar fez com que ela mudasse os rumos profissionais.

 

Com todo esse background, sua marca homônima surgiu de forma natural, sem ter planejado tudo milimetricamente. Começou a fazer peças para ela mesma ( joias que queria e nunca encontrava para comprar), e então as encomendas surgiram de amigas e admiradoras. Quando fez sua primeira exposição, em 2008, vendeu tudo. “Foi o start para montar a marca”, lembra. Em 2010, lançou a primeira coleção, de ouro com pedras preciosas, inspirada na joalheria bizantina – eram peças únicas e foram vendidas rapidamente.

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O ateliê de Manuela Henriques. Foto: Daniela Grigoleto

Deixou a marca em stand by por um tempo para se dedicar à maternidade. Com 39 anos, ela é mãe de duas meninas, Helena, 7 anos, e Julia, 6. Em 2015, voltou para a joalheria e retomou a produção com uma linha mais conceitual e contemporânea.

 

No seu dia a dia, Manuela gosta de acordar cedo e manter uma rotina organizada para dar conta de tudo. “Divido a minha semana no ateliê entre estudos, leituras diversas, pesquisas de materiais, moodboards, desenhos e protótipos”, conta. Atualmente, ela trabalha sozinha na criação e, para cada coleção, entra de cabeça no tema que vai desenvolver. Respira esse universo dia e noite: música, cinema, dança e literatura. 

 

Ela gosta de trabalhar com conceitos, de ver o significado por trás de cada peça, e seu processo criativo se baseia sempre num estudo (herança da formação em psicologia) e num olhar para a natureza, as culturas ou os lugares.

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As joias têm formas simples e limpas, sejam elas orgânicas ou geométricas. Foto: Maria Fernanda Leal

Entre suas principais referências está a estética minimalista, por adorar as formas mais simples e limpas – sejam elas orgânicas ou geométricas. “Acredito que, com o excesso de informações do mundo atual, o olhar suaviza e descansa ao encontrar objetos menos carregados”, defende.

 

Sua matéria-prima favorita é a prata, pelas possibilidades que ela traz e também por seu brilho único. As pérolas também estão sempre presentes em suas coleções.

 

Manuela revela ser colecionadora de objetos “estranhos” e adora garimpar pedras exóticas, ovos de avestruz, conchas, fósseis. Tudo que chama a atenção pelo formato ou pela singularidade, ela guarda, arquiva, coleciona. “Essa é uma atividade muito viva em mim e, mesmo quando estou na casa de campo, saio com as minhas filhas para fazer ‘expedições’. Juntamos caixas com sementes e troncos. Elas se divertem e eu alimento minha alma”, conta. Atualmente, é possível encontrar suas peças no Gallerist, na Dei Due, no Style Market e em seu e-commerce próprio.

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