Pop culture

Layla Monteiro em entrevista exclusiva para a L'Officiel Brasil

Layla Monteiro mostra que, depois de quase um ano de distanciamento social, ficar em casa ganha outra dimensão. Afinal, um pouco de glamour vale a pena
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Vestido VOIR; Brincos e anel ANA KARINA SIMON; Sandália AQUAZZURA (Fotos: Rogério Cavalcanti / Edição de moda: João Paulo Durão)

A paixão fashionista consegue sobreviver a quase 12 meses de isolamento social? De acordo com Layla Monteiro, sim. Ela, que há nove anos divide informações de moda com seus mais de 903 mil seguidores no Instagram, sofreu um duplo impacto no começo de 2020.

Em janeiro, parou suas viagens e tours por shoppings para encarar um tratamento de esclerose múltipla. Dois meses mais tarde, com a imunidade fragilizada, continuou presa em casa por conta da pandemia. “Foi um baque. Fiquei pensando em como iria fazer para me reinventar. Isso foi realmente muito difícil e diferente de tudo o que eu já tinha vivido.” A saída foi mostrar seu lado mais família – e se reconectar muito mais com ela. Layla Monteiro fez vídeos mostrando como ter um closet inteligente, em linha com o consumo sustentável, e trouxe conselhos para mulheres de várias idades – desde as adolescentes até as amigas da mãe. E garante: precisamos ver a moda com outros olhos.

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Top e saia LAFORT; Brincos, colares, pulseiras e anéis ANA KARINA SIMON; Sapato AQUAZZURA / Look total PUCCI; Brincos, anéis e pulseiras BULGARI

Como o ano de 2020 transformou a moda?

LM: No ano passado, lancei o desafio Fique em Casa, com algumas tarefas: criar um look comfy com t-shirt, um look com tricô e outro mais arrumado, para externalizar a vontade de voltar para a rua, sair com os amigos. Acho que todas tivemos de mostrar essas três versões de nós mesmas. Ainda que fiquemos em casa, dá para ter estilo. O que deixa uma mulher bonita é a segurança que ela carrega. Aí, você pode chegar a qualquer lugar com a roupa mais básica e vai estar linda.

Há pouco tempo, você contou que foi diagnosticada com esclerose múltipla. Por que tomou a decisão de falar sobre a questão?

LM: Foi uma decisão difícil, precisei de um tempo para tomá-la. Minha família foi resistente, no início, com receio de preconceito e comentários negativos. Fiquei um mês fora das redes sociais, e as pessoas especulavam se eu tinha feito plástica, se estava grávida, se havia me separado. E eu estava triste e ansiosa por estar escondendo uma notícia tão importante para mim. Assim que divulguei o vídeo contando tudo, um peso saiu de minhas costas. E recebi mais de 5 mil comentários. Sabia que a notícia iria ajudar muitas pessoas, derrubar o preconceito e o estigma que a doença carrega. A medicina evoluiu muito, existem vários tratamentos.

Como a doença vem impactando sua rotina?

LM: Fiz o tratamento pouco antes de a pandemia estourar. Como minha imunidade ficou fragilizada, eu já estava em isolamento desde janeiro. E continuei por mais seis meses. Fiquei ansiosa, angustiada, tive compulsão alimentar. Mas aos poucos fui mudando esses hábitos. Procurei uma nutricionista especializada em doenças autoimunes e hoje sei que o estresse é um fator determinante, que pode me fazer mal. Precisei desacelerar, colocar as prioridades em ordem. Hoje seleciono mais meus trabalhos; minha saúde vem em primeiro lugar. Dormir bem, comer de maneira saudável, ser positiva e ter uma vida mais tranquila faz toda a diferença. Até o cabelo e a pele mudaram. Vou poder voltar a viajar, ter filhos. A doença não vai me privar de nada se eu me cuidar.

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Blazer e pantacourt LAFORT; Brincos, colares, pulseiras e anéis ANA KARINA SIMON; Sandálias AQUAZZURA

Sempre teve uma boa relação com o próprio corpo?

LM: Nós, mulheres, somos muito exigentes, mas sempre aceitei meus defeitos e tive autoestima alta. Se eu não me acho bonita, quem vai me achar? Falo da importância de se valorizar, de ser segura, de não se preocupar com detalhes como celulite, perna grossa... Esse é meu biótipo, e não sou escrava do meu corpo. Chega dessa busca pela perfeição. Tem gente que critica minha testa, sugere uma franja... Cada pessoa tem uma beleza diferente. É preciso enxergar a sua. Há dois anos não faço toxina botulínica, mostro a testa enrugada, engordo um pouco depois das viagens... E vida que segue.

Como você vê o mundo pós-pandemia?

LM; Acho que as pessoas vão passar a dar valor aos detalhes, aos momentos em família, aos abraços, aos mais velhos, às reuniões que não pudemos ter nesse ano que passou. Vamos ter mais empatia e cuidado com o outro, investir num consumo mais consciente. Acredito que vamos ligar menos para os bens materiais e valorizar cada momento da vida, com saúde.

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Vestido SEA NA MARES; Brincos, colares, pulseiras e anel VAN CLEEF & ARPELS
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Blazer e camisa INES DE LA FRESSANGE; Brincos e anéis ANA ROCHA E APPOLINARIO /Look total DOLCE & GABBANA; Brincos, anéis, pulseiras e relógio BULGARI
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Camisa e calça DIANE VON FURSTENBERG; Brincos e anéis ANA ROCHA E APPOLINÁRIO; Meia-calça CALZEDONIA; Sandália AQUAZZURA / Vestido VOIR; Anéis e brincos ANA ROCHA E APPOLINÁRIO; Sandália AQUAZZURA

Créditos
Fotos: Rogério Cavalcanti
Assistente de fotografia: Isadora Fonseca 
Vídeo: Paulo Peixoto 
Edição de moda: João Paulo Durão
Produção de moda: Leo Napolitano
Beleza: Raul Melo com produtos Chanel, Nars e Schwarzkopf Professional
Assistente de beleza: Silmara Melo 
Retoutch: Factory Retouch 
Agradecimentos: Antonella Maison,
PHD Grupo e Healthy Bites Atelier

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