Maraú, a península dos sonhos na Bahia
Viagem

Maraú, a península dos sonhos na Bahia

No sul da Bahia, Maraú é a prova de que ainda existem joias escondidas no litoral brasileiro
Reading time 4 minutes

Se fosse mais acessível, talvez perdesse o charme. A máxima, que se aplica a tantos esconderijos mais ou menos turísticos pelo mundo, cai como uma luva para descrever a Península de Maraú. Mesmo o visitante mais apressado leva pelo menos três horas da chegada do avião no aeroporto de Ilhéus até a porta de seu hotel ou pousada. Ainda assim, vai ser difícil encontrar quem se queixe da demora, mais do que recompensada pela paisagem da chegada. A península no sul da Bahia é um desses pedaços do litoral brasileiro ainda quase intocados, com pouquíssimos trechos ocupados pelo homem. O vilarejo de Barra Grande, no extremo norte, concentra praticamente todo o comércio da região, que se resume a um punhado de bares, restaurantes e uma ou outra lojinha. Agito mesmo só há no auge do verão, quando funcionam bares sazonais embalados por música eletrônica. No resto do ano, a programação dos turis - tas se resume a sorver caipirinhas no Bar da Rô, espremido entre rio e mar, ou vaguear sem pressa entre as muitas praias da península. “ Êta vida besta”, já dizia Drummond.

A praia mais idílica é a de Taipu de Fora, conhecida por suas piscinas naturais povoadas por peixinhos coloridos e acessíveis a nado desde a areia. O espetáculo só ocorre quando a maré está bem baixa, por isso vale checar a tábua de marés e se programar. Mesmo com o mar alto, Taipu é dessas praias perfeitinhas que convidam ao ócio: mar claro, areia dourada e bares charmosos espalha - dos pela orla, emoldurados por um extenso coqueiral. Por lá, há mais um pequeno núcleo de pousadinhas e bares. A hospedagem mais próxima da região onde se formam as piscinas é a pousada Taipu de Fora, que tem um gramado com espreguiçadeiras entre a areia e piscina e um restaurante aberto a não hóspedes. Como se não bastasse toda a beleza das águas salgadas, Maraú tem ainda uma lagoa de água doce, separada do mar por uma estreita faixa de areia, a lagoa do Cassange. A visita à lagoa é dos programas mais recomendados na península – dá para comprar o passeio em agências na vila, mas, para curtir com calma, o bom mesmo é se hospedar ali perto.

Nos últimos anos, ganhou popularidade o passeio de quadriciclo, que pode ser combinado direto com os hotéis ou pousadas. Quem se propõe a pilotar o jipinho deve seguir até a base do Farol do Cassange, que descortina lindas vistas da lagoa e do mar. Na pequena nesga de terra entre estes dois está talvez o melhor hotel da região, o Terraços Marinhos.

Lá, a privacidade é absoluta: são só dez acomodações com mimos inesperados em um lugar de natureza tão inóspita. Os bangalôs têm piscinas privativas e até mesmo as quatro suítes, mais simples, são equipadas com camas king-size cobertas por lençóis de algodão 200 fios. O hotel ocupa só uma pequena parcela do terreno de 150 hectares que desde 1997 pertence à mesma família. A área é suficiente para abrigar duas piscinas, uma delas com raia semiolímpica, quadra de tênis e campo de futebol, tudo isso sem interferir nocivamente na paisagem. Ainda sobra espaço para cultivar, em estufas e à céu aberto, os vegetais que abastecem a cozinha da pousada.

A gastronomia local, aliás, é um dos trunfos de Maraú. Nos balcões despretensiosos dos restaurantes de lá saem desde preparos à base de lagosta ou camarão até o bom e velho feijão com arroz. No coração de Barra Grande, o bar de praia Macunaína prepara ceviches com os insumos trazidos pelos pescadores da vila. Outro representante do gênero é o Bar das Meninas, que ocupa desde 1990 as areias da praia de Taipu de Fora e é campeão em resenhas elogiosas no site TripAdvisor. Na cozinha do hotel Terraços Marinhos, as panelas são comandadas por Domingas Ramos, esmerada cozinheira local que valoriza os muitos ingredientes típicos da região. Até o café da manhã é dedicado aos produtos regionais: se revezam no bufê sucos de frutas como graviola, cajá e cacau. No fim da estada, o consenso entre os hóspedes do hotel é o seguinte: pode ser difícil chegar até Maraú, mas criar coragem para sair de lá é muito mais.

posts relacionados

posts recomendados