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Os Jovens Rolling Stones

Sem pensar em aposentadoria, a banda mais antiga em atividade dá show de vitalidade e comprova que os baby boomers ainda têm muito a ensinar
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A tomada aérea impressiona. Em Copacabana não vemos areia, não vemos o calçadão, não distinguimos a orla. O mar que se destaca ali é o de gente. Nos dias que antecederam aquele 18 de fevereiro de 2006, o assunto pautava conversas por todo o País: como seria o show dos Rolling Stones na praia mais famosa do mundo? Há quem tenha desembolsado uma grana para acompanhar a apresentação de bares, barcos ou da sacada de suítes de hotéis. Os desabonados, no entanto, também eram bem-vindos, bastava conseguir um lugar na areia. Caravanas partiram rumo ao Rio de Janeiro para aquela que seria uma das maiores apresentações da história da música, acompanhada por entre 1,2 e 1,5 milhão de pessoas. 

 

 

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(Foto: Shutterstock e Divulgação / L’Officiel Hommes Brasil)

Os Stones surgiram em 1962, com o vocalista Mick Jagger e o guitarrista Keith Richards – os maiores símbolos da banda ao lado da boca com a língua de fora –, juntando-se ao baterista Brian Jones. Este seria o primeiro a deixar o grupo, dando início a algumas transições que resultariam na formação atual: Jagger, Richards, Ron Wood e Charlie Watts. É admirável como os roqueiros conseguiram não apenas se manter com o passar dos anos, mas permanecer em constante evidência ao longo de décadas. Se começaram rivalizando com os Beatles, com o caminhar da história conseguiram captar as tendências musicais – rock progressivo, punk, o pop... – e dialogar com elas sem perder a própria essência. 

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Fotos: Reprodução / Instagram @therollingstones

Junte isso a um talento descomunal para produzir clássicos – “(I Can’t Get No) Satisfaction”, “Gimme Shelter”, “Symphaty for the Devil” – e temos uma fórmula que ajuda a explicar porque naquela noite em Copacabana era comum vermos pais acompanhados de seus lhos curtindo o mesmo som. Em casos mais raros, avós compunham o time familiar. Porém o mais comum era ver hordas de jovens nascidos décadas depois da banda já estar em atividade entoando os hinos puxados por Jagger. Os Stones nunca deixaram de fazer sentido para o seu público inicial, aquele dos anos 1960, mas também conseguiu angariar novas legiões de fãs conforme as décadas passavam. 

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Foto: Reprodução / Instagram @therollingstones

São 57 anos até aqui, o que os transforma na banda mais longeva em atividade no mundo. Se por acaso há dúvida da relevância dos Stones em nossos dias, alguns números dão uma dimensão. A turnê “No Filter”, que durou três anos e terminou em agosto de 2019, teve mais de 2 milhões de ingressos vendidos e arrecadou cerca de US$ 415 milhões, tornando-se uma das mais lucrativas de todos os tempos. Os dados de redes sociais também são respeitáveis. No Instagram do grupo são 2,5 milhões de seguidores – e comentários dominados por millennials –, no YouTube, 1,7 milhão, no Facebook, 19 milhões, e no Spotify, 16 milhões de ouvintes mensais. 

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Foto: Reprodução / Instagram @therollingstones

No Spotify, aliás, o grande hit da banda é “Paint It, Black”, reproduzida 360 milhões de vezes. Surpreso por não ser “(I Can’t Get No) Satisfaction” que domina a lista? Talvez haja uma razão que também indique como os jovens acompanham os Stones: “Paint It, Black” é um grande hit do famoso jogo de videogame “Guitar Hero”. 

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