Mode

Conheça Ganni, a marca dinamarquesa que conquistou as it-girls pelo mundo

por Isabela Yu
09.10.2017
Entrevistamos Ditte Reffstrup, diretora criativa da grife, uma das marcas de Copenhague que roubou o coração das fashionistas e do mundo da moda.

O importante BOF declarou 2017 como o ano da Dinamarca na moda. "O mundo tem reparado na Dinamarca para inspiração de mobiliário (Friz Hansen), televisão ("The Killing") e comida (o restaurante estrelado Noma)", concluiram.

O cenário não seria diferente com a moda. Segundo estatísticas, as roupas fazem parte da quarta maior exportação do país – gerando $7 bilhões de dólares ano passado. Mais de 50% da população anda de bicicleta em Copenhague, o que acaba levando à priorização do conforto. O mood minimal e sporty faz parte do DNA das marcas de lá.

Um dos maiores nomes dessa leva é a GANNI, regida pela diretora-criativa Ditte Reffstrup, que remodelou a marca em 2009. Fundada em 2000 como uma label nichada de cashmere, ganhou novos ares com inspiração em hits fashion de designers como Isabel Marant e Helmut Lang. Nos desfiles, os maiores editores de moda do mundo sentam lado a lado de celebridades do mundo artsy, como o artista Blood Orange.

Entre os fãs? As it-girls Alexa Chung, Kendall Jenner e Leandra Medine. Além da tag #GanniGirls ter mais de 10 mil compartilhamentos de mulheres que se reconhecem com o estilo de garota dinamarquesa da marca. Entrevistamos Ditte sobre a história e as referências da GANNI a seguir:

Você acha que a mulher que veste Ganni mudou ao longo dos anos?

A mulher que nos veste se sente confortável em sua própria pele. Então, aparência começa com personalidade e atitude – não por peças de roupa. Ela usa de tudo, desde uma jaqueta de couro com um lindo vestido de renda ou um suéter de cashmere. Contrastes e diversão são elementos chave do DNA de nossa marca e acho que é isso que as tornam tão interessantes.

Quais são as peças essenciais que uma Ganni Girl deve ter?

Algo bold, mas prático e diversificado. Essas meninas não tem medo de se destacarem. Tudo que criamos é pensando na garota de Copenhague. Aquela mulher que anda de bike pela cidade e vai tomar uma cerveja depois do trabalho – sem mudar de look!

Como você vê esse boom de criativos dinamarqueses chegando no resto do mundo?

Vimos uma crescente de ótimos projetos relacionado ao cinema, design, comida e moda feitos aqui. Isso tem muito a ver com o interesse pela cidade de Copenhague, especialmente. Tem algo muito especial sobre ser dinamarquês ultimamente, penso que devemos muito desse momentum à cultura gastronômica nórdica, além de chefs como René Redzepi, assim como nossa herança em móveis e artesanato. Em uma perspectiva maior, acho que relativamente a maneira como desenvolvemos nossa sociedade, que honra em equilíbrio a coexistência de humanos, seja rico ou pobre, homem ou mulher.

Você poderia indicar alguns estilistas dinamarqueses contemporâneos que devemos conhecer?

Nossa grande amiga Sophie Bille Brahe é uma designer de joias incrível – suas peças são muito únicas. Nossos amigos Mette e Rolf Hay são donos da HAY, uma marca de design de interiores, estão indo super bem. Eles tem uma estética incrível e fizeram uma série para cozinhas com o Frederik Bille Brahe, um chef de Copenhague.

Como vocês começam a desenvolver uma coleção?

Depois de todos os desfiles, eu e minha equipe de design vamos em uma trip inspiracional para limpar nossas paletas criativas e pensar em novas ideias. Qualquer coisa pode nos inspirar no momento – um filme, um lugar, um sentimento ou um grupo de crianças na rua. Por isso ter um processo criativo é tão legal – você não tem regras. Somos uma equipe de quatro pessoas no time de design e fazemos quatro coleções por ano com 250 peças em cada.

Vocês tem quase 300 mil seguidores no Instagram, a internet sempre fez parte da história da marca?

Nos pareceu uma ferramenta natural para trabalhar desde o início. Tentamos pensar em estratégias inovadoras para tudo que fizemos, mas para ser honesta, não tínhamos plano nenhum quando começamos.

A aba Ganni Girls do site é atualizada a cada temporada, quando esse projeto surgiu?

O processo é bem fluido. Há meninas que trabalham conosco desde o início e outras mais recentes, mas em geral, a coisa mais importante é trabalhar com mulheres que ressoam as ideias e estéticas da marca. Ter um monte de seguidores não é um critério, porque adoramos trabalhar com pessoas com 300 followers se elas são mais interessante para nós – é um feeling. Em 2015, Helena Christensen e Kate Bosworth se encontraram para drinques com o mesmo casaco nosso, elas amaram a coincidência e publicaram uma foto com a tag #gannigirls. Acho que devo uma cerveja para elas por conta disso!

Você tem uma estética favorita?

Sempre amei os anos 90 como um todo, é uma fonte constante de inspiração. Era adolescente naquela época e especialmente aquela vibe britpop causou uma impressão gigantesca em mim. Acho que essa influência continua sendo um tema recorrente para mim porque é não tem muito esforço. No momento, estou obcecada com denim em camadas com muito floreio.       

 

Poderia nos contar um momento especial da história da GANNI?

No nosso verão 2018, chamado de "Global Citizen", colaboramos com diferentes criativos de todos os lugares do mundo. Como a Jessica Hans, uma ceramista americana, a Ana Kras, fotógrafa e artista sérvia que mora em Nova York. Trabalhar com tantas energias criativas me deu muito orgulho.

 

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Fotos: divulgação/GANNI. 

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