Viagem

Ative os sentidos, conheça os hotéis tailandeses focados no bem-estar

Num dos países mais intrigantes do sudeste asiático, a maior das sabedorias está em se manter em equilíbrio
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Cuidar da mente, do corpo, do planeta. O chamado bem-estar – wellness, como se diz atualmente – é uma corrente mundial que mistura tradições, inovações e tendências em alta velocidade, abrindo um campo de produtos e de serviços que movimentou 4,2 trilhões de dólares em 2018, segundo o relatório anual da Global Wellness Institute, que monitora seus principais setores, entre eles beleza, antienvelhecimento, alimentação saudável e nutrição. 

 

Região conhecida pelos tratamentos milenares, a Tailândia ganha alguma dianteira nessa esfera com o turismo focado no bem-estar, valorizado pelos recursos de uma geografia deslumbrante. Convidada a desvendar esse destino, conheci três de seus hotéis cujo foco na experiência wellness é muito forte. Cuidar da respiração, da alimentação, se desconectar, estar presente por inteiro e ser generoso foram algumas das muitas experiências transmitidas durante a viagem.

Hospedagem e bem-estar em Bangkok

Por volta do século 19, quando a Tailândia ainda se chamava Sião, uma hospedaria foi aberta às margens do Rio Chao Phraya para receber navegantes vindos de outras terras. Atualmente, o espaço abriga o sofisticado Mandarin Oriental, que tem mais de 140 anos de história e é o primeiro hotel na Tailândia a abrigar o conceito de spa. Ele possui 331 quartos e suítes decorados no estilo clássico tailandês, com cores e texturas contemporâneas. Os visitantes têm à disposição nove bares e restaurantes, com destaque para o cardápio do Le Normandie, assinado pelo chef Arnaud Dunand-Sauthier. Aberta em 1958, a casa foi premiada com duas estrelas Michelin e reúne pratos da cozinha francesa com ingredientes frescos de alta qualidade.

 

Dividido em três módulos, o spa do Mandarin oferece um leque interminável de terapias. A linha Facial & Body Spa permite cuidar do corpo da cabeça aos pés. Com o sugestivo nome de Digital Wellness Escape, a compressão feita nos olhos, no pescoço e nos ombros foi pensada para quem passa muito tempo conectado.

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Mandarin Oriental – Considerado um dos melhores hotéis da Tailândia, o emblemático Mandarin possui mais de 140 anos de história e uma localização perfeita para conhecer a vibrante Bangkok. Foto: Divulgação

O Mandarin Oriental é dividido pelo Rio Chao Phraya. Para deslocar-se de um lado a outro dele, um charmoso barco típico tailandês transporta o hóspede em poucos minutos. Passando por um lago de flores de lótus, do outro lado do rio está o Fitness Center, procurado por suas atividades exclusivas, que incluem sauna, banho turco, jacuzzi e equipamentos aeróbicos. Além disso, há aulas de meditação, ioga, muay thai e boxe tailandês, ideal para ganhar massa muscular, melhorar a flexibilidade e reduzir o estresse. O Wellness Retreats propõe um retiro de três dias e duas noites, com sessões personalizadas para reativar o corpo e descansar a mente.

 

Uma aula de culinária também pode ser agendada. Conhecida como a Thai Cooking School, nela se aprendem pratos típicos, com muitos truques e dicas. O chef Narain Kiattiyocharoen encanta pela delicadeza e pelo know-how: uma inesquecível apresentação sensorial.

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Foto: Pimpa Brauen

Saindo do Hotel, na cidade de Bangkok, o templo de Wat Pho é uma atração imperdível. Além de abrigar a primeira faculdade de massagem na Tailândia, entre os milhares de azulejos coloridos e pagodas (pequenos templos), encontra-se uma gigantesca e imponente estátua do Buda dourado reclinado, a maior do país.

Slow life em Koh Kood

A próxima rota desse tour está na quarta maior ilha da Tailândia, Koh Kood, a uma hora e meia de Bangkok e cujo acesso se dá pelo avião particular do Soneva Kiri, um Piper Navajo Chieftain de oito lugares. Inaugurado há duas décadas pelo casal Sonu Shivdasani e Eva Malmstrom-Shivdasani, o hotel tem como base o luxo ambientalmente responsável e totalmente sustentável, em que se destacam 36 vilas iluminadas por amplas janelas e definidas pelo layout de até cinco quartos, cozinha, sala de estar, deque e piscina com borda infinita. Essas e as demais instalações foram assinadas pelo designer britânico Louis Thompson, idealizador do perfil aventureiro do restaurante Treepod. Acomodados numa espécie de cesta de bambu com uma mesa no centro, os convidados são elevados a 10 m de altura, para depois serem servidos com frutas, doces e sanduíches, que se são trazidos por garçons que deslizam pelos cabos das tirolesas – tudo com uma vista fantástica do mar.

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Soneva Kiri possui a filosofia “no news, no shoes”: Sem notícias para estar inteiramente no momento presente e sem sapatos para se conectar com a natureza

Seja caminhando na areia branca da praia, seja experimentando um dos 60 sabores de sorvete caseiro, a ordem é se desligar da rotina, praticando a filosofia da Slow Life (Sustentainable-Local-Organic-Wellness- -Learning-Inspiring-Fun-Experiences). Resumindo: a vida em ritmo lento. 

 

As várias opções de lazer são reveladas aqui e ali, a exemplo do cinema ao ar livre, das quadras de tênis, da biblioteca e do parque infantil. Enquanto os esportistas podem praticar canoagem e snorkeling, quem deseja relaxar usufrui de sessões de massagens, aulas de conscientização corporal e tratamentos oferecidos pelos especialistas visitantes. 

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Conhecer uma pequena vila dos pescadores, a apenas 20 minutos do hotel, é uma boa pedida para mergulhar um pouco na cultura do povo local – entre templos dourados, praias de areia fina e branca, plantações de coco e borracha, e uma extensa floresta tropical. O sorriso aberto e sincero de todo o vilarejo esquenta a alma. Antes de partir do Soneva, com a percepção de leveza renovada, fica a sugestão de se derreter nas refeições do The Benz e do The View.

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Foto: Pimpa Brauen

Natureza em foco em Koh Samui

A história da logomarca do Six Senses, nossa última parada, diz muito sobre sua identidade. Os seis pontos do desenho foram inspirados na pirâmide pintada pelos monges budistas em ocasiões especiais: os três primeiros, que formam a base do triângulo, sinalizam a visão, o som e o toque. Já a segunda fileira indica o sabor e o cheiro. A ponta da figura representa a intuição, o chamado sexto sentido. Dividida entre hotéis, resorts e spas, a empresa, igualmente concebida por Sonu Shivdasani, está presente em 33 endereços da Ásia, Pacífico, Oriente Médio, África, Europa e Américas. Estivemos no Six Senses Samui, sediado na Ilha Koh Samui, distante 45 minutos de Bangkok.

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O Six Senses Samui possui a natureza como protagonista, apresenta o hóspede a cultura e sensibilidade do povo local, sempre com o propósito e a filosofia voltada para o bem-estar físico e mental

Depois do desembarque, é hora de desfrutar do lugar onde estão as 66 vilas dessa aldeia particular, escondidas entre a mata nativa, quase todas com vista para o mar. Acompanhados de um vento quente e suave, seguimos para as atividades de wellness. De bicicleta ou a pé entre as estreitas estradas cobertas por folhagens, cada canto do hotel apresentava uma surpresa. No repertório estão exercícios que estimulam a circulação sanguínea e aliviam a tensão muscular, tratamentos de hidratação, esfoliação com coco, aplicação de reiki, drenagem linfática e massagem. Com certeza um dos melhores spas que conheci. 

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Foto: Divulgação

Aulas de culinária também são oferecidas, desta vez não em uma sala, mas numa cozinha produzida no restaurante principal, em cima de um morro com vista para os coloridos barcos de pesca – muito inspirador! Cozinhamos alimentos frescos, colhidos na horta do hotel, únicos, que são realmente capazes de curar e nutrir completamente a alma e o corpo. Depois da aula, são oferecidos o diploma de conclusão de curso e todas as receitas.

 

Fora do hotel, fomos conhecer um pouco da ilha e experimentamos uma das famosas massagens do Tamarind Springs Forest Spa, localizado dentro de uma densa e perfumada floresta. Entre lagos e rochas, ele oferece um extenso menu de tratamentos. Vale a pena se render a uma experiência ao ar livre, entre o canto dos pássaros e o barulho das cachoeiras.

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Foto: Pimpa Brauen

Almoçar no Vikasa Life Café, antes de retornar ao hotel, é uma boa pedida. A comida é deliciosa, orgânica. Assim, alimentada espiritualmente, energizada e com todos os chacras alinhados, me despedi desse país que tanto me ensinou – por exemplo, que o tempo tem a sua própria medida – e compreendi como o mundo vivo das árvores, das pedras, das plantas e a água corrente são as ferramentas mais poderosas para se conectar ao espírito e ao estilo natural, despertando realmente todos os sentidos.

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