Itália em dois tempos
Viagem

Itália em dois tempos

O circuito mais hype da Itália – e um dos mais charmosos da Europa – começa em Veneza e segue para a Sicília em ritmo contagiante.
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Sabe aquele ditado que avisa que os opostos se atraem? Pois é exatamente o que acontece entre Veneza e Sicília. Enquanto a primeira parada é intrigante, sofisticada e encantadora, a segunda é intensa, alegre e festiva. Em Veneza, nada de ônibus de dois andares lotado por turistas que ouvem historinhas sobre a cidade. As ruas são de uso exclusivo dos pedestres. Zanzar pelos caminhos alagadiços da “Rainha do Adriático”, só a bordo de vaporetos ou gôndolas – e não espere que o condutor faça o papel de guia. Veneza é madura, fundada há 16 séculos, dona de uma biografia acachapante. 

Claro que não dá para fugir dos cartões-postais, até por que eles compõem o cenário do lugar. Campanários, basílicas, construções centenárias e muitas pontes traduzem a arquitetura romântica que seduziu figuras como a cantora lírica Maria Callas, o escritor ianque Ernest Hemingway, a mecenas Peggy Guggenheim, o designer Philippe Starck (que elegeu a ilha de Burano para chamar de sua) e a estilista Coco Chanel. O tour obrigatório passa pelo Caffe Florian, inaugurado em 1720, avança até o Harry’s, bar inventor do drinque Bellini, e termina no rooftoop da Fondaco dei Tedeschi, de onde se contempla o movimentado Grand Canal. Para ir além do óbvio, inclua visitas em ateliês, como o da joalheira e artista plástica, expert em Murano, Marisa Convento.

A hospedagem é detalhe importante para entender o local. Embora a urbe ofereça opções para todos os gostos e bolsos, o top ainda é o  Cipriani Belmond. Ambientado numa edificação do século 15, o hotel, criado por Giuseppe Cipriani (o mesmo que misturou suco de pêssego e espumante no Harry’s para bolar o Bellini), conta com 95 acomodações ricamente decoradas, restaurante anotado no Guia Michelin com assinatura do chef Davide Bisetto, bar pilotado por Walter Bolzonella, e piscina olímpica com água salgada filtrada, considerada a melhor do continente. Irresistível. 

A apenas uma hora de voo de Veneza, a Sicília é surpreendente do começo ao fim. Em Catânia, região aos pés do Monte Etna, vulcão mais ativo do mapa, a produção de vinho desperta os sentidos de quem desembarca ali. Há um punhado de vinícolas que recebem interessados para tardes de degustação, caso da Graci, que pode ser explorada na companhia do sommelier Alessandro Pugliesi, responsável pelas adegas de alguns dos mais badalados hotéis do grupo Belmond, em Taormina. 

Vale reservar um tempo para garimpar novidades nas lojas de décor e conferir o que rola nas vitrines fashion. Parada certa para os amantes da moda, a loja-conceito de Marella Ferrera exibe seus trabalhos texturizados com lava do Etna e sobreposições têxtis. No mesmo endereço fica o Palazzo Biscari, que tem seus segredos revelados pelo conde Ruggero Moncada, o anfitrião sangue-azul que convive harmonicamente com os ensaios de música erudita que acontecem diariamente no living da mansão. Taormina serve de base para a maioria dos viajantes, e foi exatamente a vocação para acolher estrangeiros que lhe garantiu dois empreendimentos do grupo Belmond: Villa Sant’Andrea e Grand Hotel Timeo. Embora quase vizinhos, possuem essências únicas.

O primeiro tem atmosfera sacada da filmografia de Fellini, à beira-mar, com quartos espaçosos, salas de banho luxuosas, varandas debruçadas sobre paisagens exuberantes e gastronomia impecável. O outro, colado às ruínas do Teatro Grego, tem um quê tradicional que reconta a história de seus 164 anos, com obras de arte, vitrais coloridos e móveis barrocos numa combinação equilibrada entre o chique e o atemporal. A comida tem sotaque italiano, mas o menu é democrático e bastante globalizado. Não resista às granitas – sorbet de limão servido num brioche quente e hipercalórico!

Locação preferida de Hollywood quando o tema é máfia, Taormina é um combinado de vozes altas, predinhos com terraços recheados de testas floridas (espécies de cerâmicas), solos de violão dedilhados ao ar livre e lambretas com buzinas estridentes. Pode parecer uma confusão à la paulistana, mas há uma tranquilidade peculiar, como se ninguém se importasse com quem está parado ao seu lado – mesmo que seja a atriz Eva Longoria ou a modelo Stephanie Seymour.
 

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