Casa Air Max, da Nike, abre hoje em SP com homenagem as mulheres
Cultura

Casa Air Max, da Nike, abre hoje em SP com homenagem às mulheres

Espaço na Av. Paulista vai reunir os novos modelos do icônico tênis, que em 2017 completa 30 anos, e oferecer programas culturais pra lá de interessantes. A abertura, hoje à noite, é uma celebração as mulheres do esporte no Brasil. Nós, da L'Officiel, conversamos com exclusividade com a skatista Leticia Bufoni.
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Em 2017 o icônico tênis Air Max, da Nike, comemora 30 anos - o modelo marcou uma revolução quando foi lançado por ser o primeiro a deixar à mostra as câmaras de ar responsáveis pelo amortecimento. Em todo o mundo o aniversário é celebrado no dia 26 de março, mas, no Brasil, o dia será comemorado hoje. A ideia da marca é homenagear mulheres e esportistas que revolucionaram as áreas e as comunidades onde atuam.

O agito rola na Av. Paulista, em São Paulo, onde a Casa Air Max abre as portas hoje à noite. Por lá estarão atletas patrocindas pela Nike, como a campeã olímpica de judô Rafaela Silva e a skatista Letica Bufoni (com quem batemos um papo); a cantora Carol Conká; as  irmãs Tracie e Tasha, do Expensive Shit, que lutam pelo empoderamento feminino através da moda; e várias outras mulheres representativas da causa. 

Depois, o espaço contará com programação especial durante todos os finais de semana do mês de março - além, é claro, de exibir os novos modelos da família Air Max.Vai rolar música, experiência, e muuuitos treinos esportivos.

 

Leticia Buffoni, principal skatista do Brasil, é uma das embaixadoras da causa e conversou conosco:

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Quando você era criança, você se lembra do que queria ser quando crescesse?

Eu queria ser jogadora de futebol. Eu sempre gostei mais de brincar com os meninos.

 

E o que mudou de lá para cá, por que você mudou de futebol para o skate?

Eu cheguei a jogar futebol, não profissionalmente. Porque quando fui chamada para jogar em um clube, tive que escolher entre jogar futebol seis, sete horas por dia ou andar de skate. Na época eu era muito pequena e estava apaixonada por skate.

 

Alguém te influenciou nessa escolha?

Não. Eu sempre gostei muito dos dois esportes, mas andar de skate foi algo muito natural. Eu aprendi muito rápido, me identifiquei bastante. E na época não tinha muita menina que andava de skate, só nos Estados Unidos. Depois fui conhecendo a cultura do esporte, e vi que existiam outras meninas que andavam também.

 

Tem alguém que é uma referência para você, que te inspirou para seguir o skate como carreira?

No começo da minha carreira eu assistia muito o Bob (Burnquist) e o Sandro (Dias) na televisão, que era quem passava na Globo e no SporTV. Depois, um amigo meu me deu um DVD de skate feminino e esse vídeo despertou em mim a vontade de vir para os Estados Unidos e me tornar uma dessas mulheres. Eu queria ser como elas.

 

Em algum momento você pensou em desistir? 

Os primeiros quatro anos competindo no Brasil foram bem difíceis, porque os meus pais tinham que bancar tudo, viagem, treino... Eu até tinha um patrocinador, mas isso não era o suficiente para eu viajar 10 ou 15 vezes no ano. Meus pais investiram muito em mim e várias vezes pensamos que talvez não fosse para frente. Mas eu amava tanto o skate que não quis largar. Não teve nenhum momento que falei: não, o skate para mim não vai virar. Porque a paixão que eu tinha era muito maior do que a vontade de ganhar dinheiro ou  de querer viver disso. Com o tempo, as coisas foram acontrecendo. Vim aos Estados Unidos competir nos X-Games pela primeira vez e nenhum patrocinador meu do Brasil quis ajudar, mas logo que cheguei consegui dois patrocinadores daqui que me ajudaram muito. Foi aí que eu falei: ah, acho que posso ser uma profissional do esporte. E assim foi.

 

Como você se sente influenciando o estilo das meninas que andam de skate? 

Eu sempre usei roupas femininas para competir. Eu sou o tipo de pessoa que não me importo com a opinião dos outros. Se eu  usar uma coisa diferente, não vou me importar se você vai gostar ou não. E foi nesse momento que as coisas começaram a mudar. As meninas viram que podiam se vestir dessa maneira. Foi uma coisa supernatural e não algo que eu coloquei na cabeça. É muito legal enxergar essa mudança.

 

Você nunca se importou se as pessoas iam te julgar?

Jamais. Nunca me importei de me criticarem. Eu fui criticada a  vida inteira por andar de skate e isso ser uma coisa masculina, me acostumei a lidar com isso ainda quando pequena. Sempre fui eu mesma. Até o dia em que parei para pensar e falei: caramba, olha o tanto de menina que está me seguindo e mudando o estilo. Depois desse momento, em que percebi que estava inspirando pessoas, principalmente meninas mais novas, me dei conta de que tinha que tomar cuidado com o que falo e faço. Não quero decepcionar essas pessoas, que gastam um tempo da vida delas me seguindo, vendo meus vídeos... Então não me preocupo em ser julgada, mas sim em fazer o que é certo, porque acho que devo isso aos meus fãs.

 

Se você pudesse deixar uma mensagem para essas meninas que têm o mesmo sonho que você tinha quando era pequena, de ser uma skatista, o que você diria?

A mensagem que eu sempre deixo é que se você tem um sonho, não só andar de skate, mas qualquer outra coisa, você tem que seguir o seu sonho, não desistir. As vezes é difícil, mas do mesmo jeito que eu consegui,  qualquer pessoa pode conseguir também, só basta ser forte e tentar realizar.

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