Cultura

O polêmico "Fur-Free": usar ou não animais para fazer moda, eis a questão.

O assunto é motivo de debate entre as principais empresas de moda e luxo no mundo.
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A London Fashion Week baniu a pele de suas passarelas. Paris Fashion Week e Milão Fashion Week, os dois outros principais centros da moda e luxo, não.

Mesmo assim, o fato é que as coleções desfiladas para Primavera/Verão 2019 tiveram ela pouco utilizada.

Por um lado, diversas são as gigantes do luxo que vem anunciando principalmente desde o fim do ano passado a sua decisão de deixar de utilizar a pele dos animais para suas coleções.

Para os curiosos e defensores do tema, boas notícias: Burberry, Gucci, Diane Fürstenberg, Stella McCartney, Michael Kors, Giorgio Armani, Hugo Boss e Versace são alguns dos principais nomes que baniram o uso para suas peças.

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Hermès Resort 2019. Fotos: Getty Images.

É interessante entender os motivos ressaltados por estas marcas.

A Gucci diz que usar pele se tornou fora de moda. Antiquado. Não é mais sinônimo de moderno.

A Michael Kors afirmou que a sua decisão vem principalmente do fato de que com a tecnologia na fabricação têxtil a pele e o pelo dos animais podem ser feitos e não é necessário utilizar-se do verdadeiro.

Giorgio Armani anunciou já em 2016 o fim do uso da pele alegando a mesma questão a respeito das tecnologias capazes de substituir a pele verdadeira.

A Hugo Boss foi ainda mais vanguardista no quesito, pois em 2015 se aliou a “The Fur Free Alliance” e olhando para o futuro determinou que a partir de 2016 já não mais usaria pele.  

A Versace parou a utilização depois que Donatella Versace disse a revista TheEconomist: “Eu não quero matar animais para poder fazer moda. Não parece certo!”

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Fendi Resort 2018 - Foto Pinterest.

"Estou muito contente que a tecnologia nos permita sentir igualmente glamorosos com peles falsas", congratulou-se a fundadora da marca Diane von Furstenberg a respeito de sua decisão. A CEO da mesma marca, Sandra Campos, ainda disse: "Estamos comprometidos em apoiar a mudança rumo a uma moda mais ética e sustentável, oferecendo aos consumidores alternativas inovadoras e sofisticadas."

Vale aqui relembrar as marcas pioneiras do “movimento” quando nem mesmo se tratava de uma tendência: Calvin Klein baniu a pele de sua moda em 1994! De acordo com o New York Times, a sua decisão foi baseada em “suas reflexões a respeito de tratar os animais de forma mais humana”; Tommy Hilfiger e Ralph Lauren "se tornaram fur-free" em 2007.   

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Casaco de pelos Fendi; Gucci Resort 2019. Fotos: Pinterest.

O fato é que, por outro lado, ainda existem em 2018 grandes marcas que resistem ao pedido dos ativistas alegando que o uso da pele e do pelo fazem parte de sua história e identidade. A Fendi, conhecida por seus casacos luxuosos, é um exemplo de quem continua resistindo à tendência e por enquanto não parece ceder à pressão.

Há também quem não tenha ainda tomado partido. A francesa Hermès anunciou recentemente que não tomou sua decisão.

A Prada, embora tenha parado de fazer campanhas publicitária com pele, a utiliza, ainda que minimamente, em suas roupas.

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Cavalli Resort 2019; Hermès Resort 2019. Fotos: Getty Images.

Vale dizer que mesmo para quem diz ter banido a pele, as exóticas ainda persistem nas passarelas.

A Gucci desfilou a sua ultima coleção em Paris com calças e vestidos de pele de cobra Phyton.

Cavalli em Milão também apresentou sua coleção com muito Phyton.

Há quem diga que será a temporada de inverno que poderá de fato testar o “movimento fur-free”.

Sobre o polêmico assunto, Stella McCartney se pronunciou dizendo que devemos esperar as passarelas do frio para averiguar a tendência!

Aguardamos ansiosos! Vocês também?

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