Dior de perto
Moda

Dior de perto

Exposição em Paris comemora os 70 anos da grife e coloca vestidos que marcaram época ao alcance das mãos.
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Dos retalhos do período pós-guerra, Christian Dior bordou, se não um novo mundo, ao menos uma nova arte: a alta-costura. A contribuição do estilista francês para a moda foi tamanha e tão relevante que o Musée des Arts Décoratifs, em Paris, dedica 3.000 metros quadrados de sua área à exposição Christian Dior, Designer of Dreams, que celebra 70 anos da Maison Dior.

A mostra, maior e mais completa do gênio fundador da grife, fica em cartaz até 7 de janeiro, e cobre diferentes aspectos de sua vida e carreira, além de explorar o trabalho dos diretores criativos que o sucederam: Yves Saint Laurent, Marc Bohan, Gianfranco Ferré, John Galliano, Raf Simons, Maria Grazia Chiuri.

Para contar essa história de beleza e sucesso, os curadores Olivier Gabet e Florence Müller selecionaram mais de 300 vestidos da marca, criados desde 1947. A exposição é alinhada por um fio condutor de emoções, afinidades, inspirações e legados. A quem tem a oportunidade de observar as peças, diz Müller, o Bar Suit e o vestido usado pela princesa Margaret na comemoração de seu 21º aniversário são obrigatórios.

Os looks que ganharam os tapetes vermelhos no mundo não são a única atração. Há uma série de objetos ligados à trajetória da Dior - alguns nunca expostos anteriormente -, como chapéus, fotografias e peças de decoração. “Logo na primeira sala, colocamos uma carta cujo a data é anterior à abertura da maison. Nela, Christian Dior compartilha a sua ansiedade. É uma mensagem muito emocionante porque, naquele momento, ele nem sequer poderia imaginar o sucesso dantesco que o esperava”, diz Müller.

A mostra é composta por itens obtidos a partir do próprio acervo da marca e do museu, e conta também com peças emprestadas por museus e galerias internacionais, como o Victoria & Albert Museum, de Londres, e o Metropolitan Museum of Art, de Nova York. Na montagem desse quebra-cabeça, foram levados em consideração a personalidade e os gostos do estilista homenageado, verdadeiro amante das artes e profundo conhecedor de museus. “Temos exposto o Le Jardin, de Claude Monet, pintado em Giverny, e um buquê floral de Henri Fantin-Latour [dois empréstimos do Musée d’Orsay], que formam uma harmonia que eu acho que Christian Dior apreciaria”, observa Olivier Gabet.

Houve um esforço para demonstrar aspectos pouco conhecidos de Dior, chamado de “humano e humanista” pelo curador - daí a decisão de deixar quase todos os itens expostos sem nenhum tipo de proteção. É importante que os visitantes se sintam próximos de um artista que, conclui Gabet, “verdadeiramente acreditava no ato de criar e nutria o desejo genuíno de fazer as mulheres mais felizes e bonitas”.

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