Éden oculto: um guia de Seychelles
Viagem

Éden oculto: um guia de Seychelles

De tão pequenas, elas mal aparecem no mapa-múndi, mas é na natureza exuberante – e intocada – que se revela a magnitude das ilhas Seychelles.
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Um dos maiores tesouros piratas da história, equivalente a 500 milhões de reais, está escondido em algum lugar de Seychelles. Ao menos é o que diz a lenda, reforçada por um criptograma deixado pelo famoso pirata Olivier Levasseur no século 18, e meia dúzia de descobertas feitas no arquipélago desde então – incluindo inscrições em cavernas, restos mortais de piratas e até algumas peças de ouro, supostamente parte da fortuna. 

Se, no entanto, uma potencial caça ao tesouro não for o suficiente para atraí-lo ao país providencialmente remoto, na costa leste da África, sua beleza natural se encarregará disso: com moderados 90 mil habitantes espalhados por apenas 20 de suas 115 ilhas, o destino é um dos poucos no mundo onde ainda é possível ver a natureza intocada. 

Líder mundial em turismo sustentável, Seychelles preserva uma enorme diversidade de fauna e flora, que inclui suas célebres tartarugas gigantes, mais abundantes no país do que humanos, diversas espécies endêmicas, como o menor sapo e a maior semente do mundo, e uma abundante vida marinha – o que, junto à alta visibilidade da água, que frequentemente ultrapassa os 30 metros, a torna um paraíso para mergulhadores. 

Emoldurando essa biodiversidade estão as responsáveis pelo seu maior impacto cênico: as deslumbrantes praias, formadas por colossais pedras de granito, areia branca e alguns dos tons de azul mais claros do mundo. Vista de cima, a paleta de cores desse pedaço do Oceano Índico é ainda mais dramática – e é justamente esse o primeiro impacto causado em quem se hospeda no Four Seasons Seychelles.

Com 67 vilas incrustadas no topo da baía de Lazare, escondidas em meio à mata nativa, o hotel oferece privacidade absoluta e vistas permanentes da praia de Petite Anse – isso porque as suítes são inteiramente envidraçadas, inclusive no banheiro, de onde, de dentro da banheira, se tem uma visão simultânea de sua piscina privativa de borda infinita e, ao fundo, do mar, numa sucessão de azuis. A vista só é superada pela do spa, localizado no ponto mais alto da imensa propriedade, onde a baía se exibe a 180°, e de cujo terraço é possível assistir ao melhor pôr do sol da região.

Na praia, à qual se chega em poucos minutos com um dos buggys prontamente disponíveis para conduzi-lo pela propriedade, o projeto Wise Oceans instrui os visitantes sobre a população marinha local – com destaque para a migração dos tubarões-baleia, uma das maiores espécies marinhas do mundo, em outubro –, enquanto o hotel oferece equipamento para atividades aquáticas como vela, caiaque e snorkelling. Nesta última modalidade, em pouco tempo na água já é possível avistar lulas, arraias, tartarugas marinhas e minitubarões.

 

A poucos passos da areia e à beira da piscina está o restaurante Kannel, com décor sofisticado, porém aconchegante, e menu em que os peixes e frutos do mar são destaque. O local é ótimo também para tomar drinques após as refeições, com um menu que inclui desde os clássicos até opções excêntricas, como o martíni de Tiramisù e o coquetel de cheesecake de framboesa.

Mais ao alto, na encosta da montanha e de frente para a baía, o restaurante Zez é a escolha mais requintada (e romântica), com planta aberta e iluminado à meia-luz. Entre os pratos mais notáveis estão o trio de foie gras e o filé de cordeiro com crosta de pistache, ambos saborosíssimos. O restaurante conta ainda com uma sala adjacente exclusiva para a culinária japonesa.

Localizado na ilha principal, Mahé, o Four Seasons tem fácil acesso à charmosa Victoria – a menor capital do mundo, com apenas 20 km 2 – e à segunda maior ilha, Praslin, onde estão Anse Georgette e Anse Lazio, presenças frequentes nas listas de mais belas praias do mundo, e a reserva natural Vallée de Mai, patrimônio da Unesco – e, segundo o folclore nacional, local original do Jardim do Éden

Em Mahé está também o Constance Ephelia, hotel cinco estrelas que dá acesso à praia de Port Launay, onde as águas são de um verde vibrante pouco visto na região. Além da beleza natural, o destaque fica por conta do U Spa – o maior do oceano Índico, com 18 salas de tratamento, pavilhão de yoga, sauna, piscina termal e salão de beleza completo.

Se a ideia, porém, é a reclusão paradisíaca a nível desértico, a resposta é o Six Senses Zil Pasyon, inaugurado em outubro do ano passado. O hotel ocupa – sozinho! – a ilha particular de Félicité, quinta maior de Seychelles, com apenas 30 vilas privativas. Se há um lugar que foi apropriadamente nomeado, é Félicité, que significa felicidade, em francês. A sensação é de estar sozinho num cenário que evoca uma versão realista e serena da ilha de Lost ao mesmo tempo em que parece meticulosamente desenhado por um estúdio de Hollywood.

Parece excêntrico afirmá-lo, mas nas vilas, que começam em 175 m2 e podem ser viradas tanto para o nascer como o pôr do sol, o banheiro é um dos pontos altos. Como se não bastasse o design fotos divulgação impecável, que conta com um adorável balanço suspenso, pela banheira se tem uma vista quase teatral do oceano. 

Bem-iluminado, com linhas retas e plano aberto, o interior tem design orgânico, abusando do uso da madeira e de tons claros e alegres de azul e verde, e integra-se harmoniosamente ao exterior. Além da convidativa piscina, que tem espreguiçadeiras submersas, o extenso deck reúne uma mesa, cadeiras, mais espreguiçadeiras e uma cama – cenário perfeito para um café da manhã relaxado. Mais cool do que clássico, e totalmente integrado ao ambiente, a atmosfera criada nas vilas é fiel à marca Six Senses.

Graças às interpretações inventivas do chef britânico Richard Lee, a gastronomia é outro destaque do hotel. No Ocean Kitchen, o menu sem carne convida a saborear os frutos do mar pescados na ilha, preparados em criações leves, como a salada de camarão, palmito, abacate, manga cítrica e pimenta. No Island Cafe, os pratos têm influência da rota das especiarias, misturando sabores da Europa, Ásia e África. O restaurante tem ainda o adjacente Chef's Kitchen, em que os hóspedes têm as refeições preparadas ao vivo, de acordo com sua preferência, pelo chef. 

Completam as opções gastronômicas o bar de rum Lakanbiz e um simpático carrinho de sorvetes caseiros – que, como em todos os re - sorts da rede, são cortesia. Como são, também, as sessões de cinema ao ar livre, acompanhadas no Zil Pasyon pelo ameno barulho das ondas. Há ainda uma academia com equipamentos de última geração, e um spa, que acaba de ser inaugurado no alto da propriedade. Ali, a consulta começa com um rápido procedimento, que revela, em poucos minutos, uma série de dados interessantes sobre o hóspede, como qualidade do sono, parâmetros de stress e níveis de serotonina. Após uma conversa aprofundada sobre estilo de vida, preocupações e objetivos, é delineado um programa de bemestar customizado para a estadia.

A sensação é de estar sozinho num cenário que evoca uma versão realista e serena da ilha de Lost ao mesmo tempo em que parece meticulosamente desenhado por um estúdio de Hollywood.

A ilha dá acesso a três praias, com o bônus de sempre terem altíssimas chances de estarem desertas. Mesmo assim, não perca a chance de conhecer a Source d'Argente, na ilha vizinha de La Digue. Escolher uma praia preferida em Seychelles é tarefa tão complexa como definir um sabor de sorvete favorito, mas essa merece lugar cativo no pódio. Ali, as pedras de granito parecem mais majestosas, a areia, mais branca, e a água, se é que é possível, de um azul mais intenso, embora translúcido. A menor das três principais do país, a ilha mantém certa qualidade pitoresca. Talvez seja reflexo da falta de carros – todos andam de bicicleta pelas ruas saturadas de coqueiros e plantações de baunilha –, ou, quem sabe, uma mimese involuntária do passo das gigantes tar - tarugas de Seychelles, que andam o máximo de 2 km por dia, mas a vida em La Digue parece transcorrer mais lentamente. 

Com essa arrebatadora conjuntura, não é de se espantar que a ilha esteja no topo da lista de destinos para casamentos – ela é palco de três a cinco cerimônias de turistas semanalmente – e luas de mel, notoriamente as de Brad Pitt e Jennifer Aniston e o casal real William e Kate. Seja para fazer núpcias como as celebridades ou passar merecidas férias fazendo absoluta - mente nada, Seychelles vale a visita. E, se estiver lá, não se esqueça de comer a fruta-pão, abundante no país, antes de se despedir: dizem que quem a come por lá sempre volta.

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